segunda-feira, 5 de abril de 2010
Easter Monday
domingo, 4 de abril de 2010
Ulladulla and Canberra
“Está ali alguém ao pé das rochas Leonor... olha, é o Pedro (Vozone está claro)” Decido que sempre se safou de todas, e que não vale a pena ficar preocupada.
Decidimos rumar 200kms para o interior, o Estado de Australian Capital Territory, e finalmente conhecer a famosa capital. Camberra!
Os 200kms fazem-se em 3 horas. O percurso envolve vários kms em floresta, montanha e vale, e alguns kilometros em autoestrada. “Pedro, está uma linha de comboio a passar aqui no meio” “não deve passar agora senão ouvia-se qualquer coisa...”. uns kms mais á frente... “olha uma rotunda” e outra e outra. Atravessamos vilas pelo centro, quer dizer... a autoestrada atravessava. Estacionamos á berma de uma delas para piquenicar. Parecia uma vila de terceira idade, simpática, a desenvolver-se à volta da auto-estrada. Apanhamos sinais de transito pelo meio, e cruzamo-nos ainda por vários animais roedores mortos pelo caminho.
A chegada à capital faz-se despercebidamente. A cidade é um jardim enorme cheio de árvores, com algumas casas pelo meio. Há! E Rotundas claro... parece uma cidade fantasma, mas como estamos em férias, passamos por alguns indianos de vez em quando. Trocamos umas impressões com a senhora do Visit centre, que ainda nos vende bilhetes a preço reduzidissimo para a exposição mais badalada do país. Masterpieces from Paris.Tenho de fazer uma pequena introdução a esta cidade antes de prosseguir. A cidade foi criada de raiz, em 1913. A ideia era criar a capital do país, mas tinha de ser entre Sydney e Melbourne. Para planear a cidade, lançou-se um concurso público internacional, em que o projecto que ganhou se baseava no já conhecido conceito “cidade jardim”. Como já referi a população não é muita, e a que existe anda escondida. Talvez dentro das árvores.
Estamos no parlamento e tentamos ver o mais que podemos no curto espaço de tempo que nos deram (chegamos perto do feixo). O edificio está no topo da colina e é um templo. Vimos exposições, salas, jardins interiores, quadros dos anteriores governadores e pouco mais. Apesar de arranjado, o encanto está todo no exterior. Nos relvados que trepam pelas paredes inclinadas do edificio, nos lagos da entrada, e nas vistas sobre a cidade que está mergulhada entre montanhas.
Seguimos para a Black Montain para ver a cidade de fora, mas devido ao enorme numero de arvores em frente dos miradouros, a tarefa tornou-se impossivel de realizar.
Acabamos o dia, já escuro, na exposição .... Quadros dos mais famosos pintores do mundo vieram directamente de Paris, para ilustrar as paredes do National Gallery of Australia. Cézanne, Picasso, Gauguin, Van gough, Monet, vieram conhecer Camberra, e encher as salas deste espaço com Pointillism, Neo-Impressionism, Synthetism, Symbolism, School of Pont-Aven, Cloisonnism, the Nabis and Intimism, e claro, Gente!
A galeria provavelmente nunca deve ter reunido tanta gente como hoje à noite, onde tivemos de acotovelar uns tantos para poder ver a "nuit Etoilee"!
Fizemos jantar na carrinha. Descobrimos no camping um spot para ligarmos a carrinha á electricidade, apesar de não ter sido esse o negócios que fizemos à entrada. O frio voltou e gela-me os ossos todos. Amanha seguimos para destino incerto, mas certamente de volta ao mar onde ansiamos pela volta do sol que hoje pouco apareceu!
Jervis Bay
Os 300kms que se seguem, ao contrário do que esperávamos, estão pintados de verde e azul, e nada de tristes cenários encarnados ou verde tropa. O céu está limpo e o sol tenta aquecer o dia que amanheceu com uns 15ºC.
Fazemos uma paragem em Berry. Vilazinha rústica com simpáticos cafés e lojas viradas para o mar. A vila está muitos metros a cima do nível da água, e por todo o lado à vistas espectaculares. Tudo tem bom aspecto, das casas aos relvados públicos onde meia dúzia de pessoas contempla o dia que se vai passando. Temos de seguir viagem e não perdemos muito tempo em terras de passagem.
Entramos numa reserva Natural. Damos conta disso não pelo que nos rodeia mas pelos 10auD que pagamos num guiché a meo da estrada. Cinco minutos mais tarde, sem nos darmos conta, chegamos ás praias com a água mais translucida da Austrália e talvez até do mundo. Chegamos a Jervis Bay!
O dia passou-se entre a toalha estendidos ao sol, vários mergulhos sempre fascinados com a transparência da água, passeios, e arrependimento de não ter comprado óculos para fazer snorkling. Viemos mais tarde a descobrir que estávamos exactamente no segundo melhor spot da Austrália para a prática do desporto!Almoçamos na campervan ás 4 da tarde e dirigimo-nos para sul. Subimos montanhas até nos estalarem os ouvidos, atravessamos florestas pelas copas das árvores ladeados de precipícios e por fim descemos até ao mar onde nos esperava Ulladulla (Alladalla para os Ozzies). Vila de pescadores sem grande charme mas com praias para surfar muito boas. Ficamos por aqui. Encontramos o casal Jardim para fazermos barbecue e aquecer a alma com a sopa cor de laranja que fizemos á 2 dias na Bimby... bendita bimby! São 7pm e já estamos a jantar, já de noite, envolvidos em varias camadas de camisolas e casacos pois o frio voltou ao mesmo tempo que a lua.
Voltamos a estar sózinhos, debaixo de uma iluminada noite de lua cheia. Escrevo ás 10 horas menos vinte, já dentro da cama e com o sono a pesar nas palpebras. Boa noite!